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Superdotação/altas habilidades é tema de audiência pública na Câmara Municipal de Patos de Minas

Especialistas e famílias relataram desafios enfrentados por superdotados e a necessidade de mudanças na percepção social, no ambiente escolar e no sistema de saúde.

A Câmara Municipal de Patos de Minas, por meio da Comissão de Educação, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer  - CECTEL, realizou audiência pública na tarde de quinta-feira (5/3) para discutir os desafios enfrentados por pessoas com superdotação e altas habilidades - AH/SD no Brasil e no município.

O encontro reuniu especialistas, educadores, parlamentares e familiares. De acordo com a presidente da Comissão de Educação, vereadora Professora Beth, que presidiu a sessão, a audiência foi motivada por demandas encaminhadas por famílias do município, que relatam dificuldades no acesso a informações, serviços especializados e suporte adequado nas redes de educação e saúde. O vereador Sargento Leomar também participou do debate.

Durante a audiência, a doutora em educação para superdotados, Olzeni Ribeiro, do Instituto do Neurodesenvolvimento, apresentou uma análise técnica sobre o tema. Segundo ela, o Brasil não possui uma referência própria de superdotação e adota um modelo norte-americano considerado “obsoleto”, formulado em 1972.

De acordo com a especialista, esse modelo ignora aspectos como a fisiologia cerebral e a hipersensibilidade do indivíduo, além de reforçar um “estereótipo de aluno perfeito, extraordinário, com excelentes notas”, que não representa a realidade da maioria das pessoas superdotadas.

Necessidade de mudança de percepção social

Conforme a doutora Olzeni Ribeiro, “infelizmente, o Brasil continua insistindo num rótulo de superdotado que não existe”. Para ela, “a luta principal de especialistas, mães e famílias é para dizer quem é o superdotado: aquele que temos em casa, presente em diferentes municípios, que não tem rosto único, que não faz tudo de forma extraordinária, que não se adequada ao sistema de ensino atual, que não tem as melhores notas”, esclareceu.

Paula Moreira, superdotada, casada com um superdotado e mãe de crianças superdotadas, destacou a importância da compreensão social sobre o tema. Segundo ela, “o ambiente precisa entender quem é essa pessoa, para que ela seja respeitada e tenha pleno desenvolvimento”. Paula também abordou a sensibilidade, a intensidade e o alto processamento de informações dessas pessoas, que, segundo ela, por falta de compreensão e atenção adequadas na escola e na sociedade, “hoje se encontram adoecidas”.

Famílias relataram que a “invisibilidade” da superdotação geram às pessoas com essa condição problemas como urticária crônica, rinite, queda de cabelo, febres psicossomáticas, ansiedade generalizada, depressão existencial, automutilação e autossabotagem, entre outros.

De acordo com os participantes, pessoas superdotadas também são frequentemente diagnosticadas de forma equivocada com Transtorno do Espectro Autista - TEA, TDAH, transtorno de ansiedade e dislexia ou Distúrbio do Processamento Auditivo Central - DPAC, o que pode dificultar o acesso ao acompanhamento adequado.

Subidentificação preocupa especialistas e famílias

Outro ponto abordado foi a subidentificação de superdotados no país. Segundo a doutora Olzeni, o Brasil enfrenta uma crise crônica nesse aspecto. Enquanto o censo escolar registra cerca de 44 mil alunos superdotados em todo o país, estimativas indicam que o número real pode chegar a milhões de pessoas.

Em Patos de Minas, a situação também chama atenção. De acordo com o último censo, apenas 11 pessoas foram identificadas como superdotadas no município, enquanto a estimativa mínima seria de cerca de 1.500.

Para os participantes, essa diferença demonstra que grande parte das pessoas com altas habilidades permanece “invisível” no sistema educacional, muitas vezes enfrentando dificuldades em salas de aula regulares sem qualquer suporte especializado.

“Estamos sepultando talentos por falta da identificação precoce. Falar de superdotação não é um privilégio, é uma fala de sofrimento”, lamentou Syrah Caroline, mãe de superdotado.

O sistema educacional

Os participantes também descreveram o ambiente escolar como “hostil” para pessoas superdotadas, “não por falta de dedicação dos professores, mas por um sistema linear e repetitivo que não atende à velocidade de processamento dessas mentes”. Nesse sentido, foram discutidas políticas como diferenciação curricular e aceleração escolar para estudantes com altas habilidades/superdotação.

Iniciativas legislativas

Durante a audiência, também foram mencionadas iniciativas legislativas relacionadas ao tema. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais - ALMG, tramita um projeto de lei proposto pela deputada Ludmila Falcão, que busca garantir triagem e suporte para pessoas com altas habilidades no estado. Já na Câmara Municipal de Patos de Minas, foi citado o projeto apresentado pela vereadora Professora Beth, voltado à identificação precoce e ao atendimento especializado.

A audiência reforçou a necessidade de tratar a superdotação como uma questão pedagógica, de saúde pública e de direitos humanos.

Autoria: Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Patos de Minas.

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